quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hipertextos e conceitos: a transformação do conhecimento para a construção de web-sites.

A construção de uma web, engloba hoje muito mais do que apenas informações disponibilizadas sobre um único elemento. Hoje são necessarias a inserção de toda uma rede de informações, para contextualizar e comprovar os pontos de determinado elemento em seu meio social, e mais que isso, no meio global.
Leva-se em conta, que determinado conteúdo está sendo disponível para bilhares de pessoas, essas que devem interagir com tais informações de acordo com a sua linguagem cultural e meio em que convive. Ou seja, ao se planejar um site, ou uma web, o criador já carrega a obrigação de inserir o conteúdo de forma fragmentada e não linear, mas interdependente dos pontos a serem abordados, para que seu navegador consiga absorver todas as informações intencionadas a serem transmitidas. Deve-se pensar na interação e possibilidades de leitura que cada interessado no conteúdo pode vir a ter, de acordo com estratégia desenvolvida pelo construtor do site de “prender” a atenção e manter o interesse da mesma no “pacote de informações ” que pretende ser passado.
Citando um exemplo de um site em construção de uma empresa de engenharia especializada em meio ambiente, as dúvidas latentes sobre a estruturação do conteúdo de forma em que aborde todos os assuntos que precisam ser abordados para que passe a idéia principal da empresa, seus conceitos, seus serviços, a forma em que os executa e a causa de venderem esse produto – obrigatoriedade e regularização de empreendimentos a serem projetados de acordo com as normas de condutas e leis municipais – já trazem por “querer existir” (o site), as questões da alta modernidade e cobrança da adaptação do “cidadão do mundo” às novas tecnologias e amplitude da informação.
Assim, vemos as tradicionais mídias e o modelo inicial de ciberespaço se chocarem com a crescente evolução e globalização tecnologica da informação, como a trasformação de textos em hipertextos e mídias em hipermídias.
Eugênio Sávio, um palestrante da semana da comunicação da Universidade Fumec, contou em palestra sobre fotojornalismo esportivo, sobre sua percepção de ter que acordar e adaptar seu trabalho às novas tendências mundiais. Nas olimpíadas de Pequim - China, Eugênio foi corresponente pela editora Abril e representante de uma edição especial sobre a mesma para o jornal O Tempo – nessa edição especial de O Tempo, apresentou a outra face das olimpíadas, senão as coberturas esportivas. Percebeu que apenas textos e fotografias, não seriam o bastante para representar tudo aquilo que estava vivendo, já que tinha acesso a tanta informação e tecnologia. Com isso o fotojornalista começou a filmar suas vivências dessa viagem e postar seus vídeos em um Blog – projeto paralelo que disponibilizava toda a rede de informações captadas ali. Com isso, somou ao seu trabalho o “pacote de informações” que aquele meio social estava oferecendo com determinado evento global, permitiu a interação e participação do leitor em absorver esse conteúdo da maneira em que o interessa-se, a romper com as barreiras de tempo e espaço, ou seja, tornou possível o acompanhamento ativo do espectador.
São inúmeros os exemplos que podem ser abordados para ilustrar a trajetória e amplitude que essa nova ordem mundial em ciberespaço alcançou na vida do homem contemporâneo e no seu dia-a-dia. Vemos que sem poder definir fronteiras e limites, vivemos obrigados a nadar junto com a maré, a fragmentar nossas idéias e englobar nossos pensamentos e planos, na execussão e apresentação de nossos trabalhos, conceitos e intenções.

Juliana Miari

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Identidade musical



Esses caras simpáticos aí de cima são os integrantes de uma banda chamada Los Porongas. Já ouviram falar?
O Los Porongas foi formado em 2003 quando quatro amigos se juntaram numa básica fórmula de baixo, bateria e guitarra.
A banda é do Acre - bem como seus integrantes - e tem recebido os louros da crítica atual que apontam-na como a grande revelação do rock brasileiro.
Los Porongas é uma banda que preza pelas suas raízes e faz sua leitura própria do rock, unindo letras e som que retratam o cotidiano e o imaginário amazônico, criando uma linguagem própria que "transcende os limites do regionalismo". (fonte: http://porongas.blogspot.com/2006_02_12_archive.html)
Em seu blog próprio (Los Porongas) a própria banda lista suas influências que são as mais diversas possíveis. Na lista encontramos desde Beatles até Otto, passando por Chico Science, Radiohead, Nirvana, Los Hermanos e outros. O que fortalece ainda mais o fato de se preocuparem com o lugar de onde vieram. Sob tantas influências, é difícil se manter relativamente enraizado.
Eles já lançaram seu segundo CD, Los Porongas, e continuam a subir os degraus do reconhecimento e do sucesso. (O primeiro CD se chama Enquanto Uns Dormem)
É uma identidade tentando preservar-se no meio dessa selva de misturas, híbridos e metamorfoses.





Quer conhecer a banda?
Los Porongas no MySpace: http://www.myspace.com/losporongas
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1523254

Izabela Linke e Andréa Basdão

Novas Tecnologias


Hoje, temos esse espaço - o blog - onde podemos inserir qualquer tipo de assunto, link, podcast, músicas, fotos, e por aí vai. Podemos perceber o quanto essa tecnologia, e tantas outras mais, resolvem os nossos antigos problemas com a comunicação, com a localização, e até com a nossa identidade.

Não entrarei no mérito da identidade, mas a tecnologia como a do telefone, celular, blackberry - os ditos Smartphones - fizeram com que, o espaço que existia entre duas pessoas que moravam a 800Km de distância uma da outra, por exemplo, se comunicarem com extrema facilidade, ao toque de um botão, ou tela. Com a criação do avião, podemos ir a dois, às vezes, até três países no mesmo dia. A noção que nossos antepassados tinham de espaço, já não é mais a mesma que temos. Já podemos contar com aviões a jato, foguetes, e outras formas de transporte de seres humanos ou animais para qualquer lugar.

A lua já não é mais um lugar intocável. E não consideramos nosso, apenas o terreno de nossa casa, mas sim, a nossa cidade, estado e país. Nossa visão do mundo mudou e podemos expandir nossos conhecimentos a partir dessas tecnologias, com a ajuda delas.

Um exemplo muito comentado, e que está sendo utilizado agora por você leitor, é a internet. A internet é uma tecnologia incrível. As pessoas podem utilizá-la para transitar por diversos lugares, ver fotos de vários países, podem se comunicar sem medo de ficarem constrangidas, pois é uma ferramenta que conecta milhões de pessoas de todo o mundo sem precisar que elas se mostrem e se exponham tanto.

A facilidade de transmissão da informação é uma questão super importante, se não for a mais importante. Hoje é muito fácil o acesso à internet, até pelo celular podemos nos conectar. Então, ao vermos um fato acontecendo e somos capazes de transmiti-lo via internet, sem ter que passar por nenhum filtro. Na verdade, outra questão importante da internet é o filtro. É possível colocar na internet tudo o que quisermos. Criamos esse blog: o único filtro pelo qual ele passou, foi pelos próprios autores. Esse é um aspecto muito especial, mas ao mesmo tempo, e infelizmente, perigoso.

Mas, perigoso por quê? Porque algumas pessoas podem utilizar a internet de forma inadequada, como exemplo, seqüestros, pedofilia, roubos de senhas, invasão de computadores alheios, difamação e etc. Então, é possível observarmos que essa tecnologia recente, que a cada dia nos fornece várias ferramentas, faz com que diferentes sociedades se comuniquem e se conheçam um pouco melhor.

Apesar de não ser uma tecnologia acessível a todos, e de não ser a solução de nossos problemas, a maioria da população já pode contar com essa facilidade e navegar pelo mundo todo, pode procurar informações sobre diversos assuntos, e, sobretudo postar informações novas, e reivindicar seus direitos, formando comunidades!



E esse caminho de inovações tecnológicas...até onde irá nos levar?




A tecnologia aproxima o ser humano? Clique A tecnologia


Priscilla Cambraia


Links interessantes: Blog de Tecnologia
Inovação Tecnológica

Tecnologia e música


Se você já ouviu falar da banda Gorillaz, sabe que sem a tecnologia atual jamais poderíamos alcançar essa concepção!
O Gorillaz é uma banda criada em 1998 pelo vocalista do Blur, Damon Albarn e Jamie Hewlett, co-criador de uma história em quadrinhos chamada Tank Girl.
Ela é composta por 4 integrantes:

2D - Vocal e teclado
Noodle - Guitarra e vocal
Russel Hobbs - Bateria e percussão
Murdoc Niccals - Baixo

Até aí tudo bem, certo?
O detalhe é que todos os seus integrantes são animações. É o que se pode chamar de uma banda virtual, considerando que seus membros são representados por hologramas e projeções.
Claro que nos shows a presença física dos músicos é essencial para execução das músicas e para o tom "ao vivo" que é o que caracteriza um show. Porém, eles não aparecem em carne e osso para o público. Há um telão no palco e é ali que se formam as imagens dos personagens musicais, tocando, cantando e interagindo entre si e com a platéia (os músicos ficam atrás dele).
O primeiro CD da banda vendeu 7 milhões de cópias e entrou para o Guiness World Records como a Banda Virtual de mais Sucesso.
(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gorillaz)

O primeiro single da banda, a música 19-2000



Mas a tecnologia não pára de evoluir e nos Grammy Awards de 2006 o que se deu no palco foi um show de técnica, música, efeitos especiais e o todas as minúcias tecnológicas que se podia colocar ali.
Uma apresentação totalmente inovadora juntou no palco a banda virtual Gorillaz e a cantora, bem real, Madonna.
É de encher os olhos e deixar curiosos os que - como eu - se impressionam a cada dia com as inovações tecnológicas que o homem desenvolve.

Gorillaz e Madonna - Feel Good Inc. & Hung Up - Grammy Awards 2006



E vai saber o que mais vem por aí...

(Site oficial da banda: Gorillaz)

Izabela Linke e Andréa Basdão

Mundo Cão

Sentada em seu banquinho de madeira, acompanhada de um Vira-Lata, a velha rendeira misturava com os fios todas as suas memórias, seu cotidiano e imprimia em cada ponto de arremate um desejo de futuro. Certa tarde, latido firme, correu o cão a receber o mascate que chegava. Chegava ao terreiro da velha uma proposta tentadora: seu trabalho iria à loja de artesanato da capital. Figuraria entre outros trabalhos, balaios, colares e colagens de todos os tipos.
Copiando e colando símbolos e significados, procuramos nos quatro cantos do planeta todos os significantes sedutores. Tapetes, roupas, músicas, ídolos e ideologias. Mundo complexo, sistema aberto, disposto em rede, o acesso é cada dia mais facilitado. Ficamos tão especializados nisso que buscamos somente a parte que nos interessa. Desconsiderando todas as memórias e histórias de cada aquilo que nos seduz, nos identificamos e firmamos identidade no imediato das coisas.
Pouco tempo depois, a firmeza dessa identidade é posta à prova, surge algo novo, que parece ser imprescindível. Traduzimos então à nossa maneira e à nossa conveniência aquilo que para a velha rendeira era o resultado de um trabalho bem menos imediato. Nessa tradução nos esquecemos, quase que por convenção, de todas as memórias e vivências que ela punha em suas rendas. Estabelecendo mais uma conexão entre os pontos que nos atraem, seguimos na tentativa de esgotar as possibilidades. Nos cobramos a capacidade de uma identificação global, de processamento semelhante àquele correspondente às máquinas, de juntar todas as qualidades e qualificações possíveis e imagináveis num exemplar único, espetacular.
Diferentemente do Vira-Lata, o Pitt-Bull, tão manipulado geneticamente na tentativa de se criar um híbrido de extrema capacidade em ser agressivo, preciso e competitivo, trouxe da junção sedutora de todas as qualidades presentes nas raças que compõem seu ser, um pequeno inconveniente: uma porcentagem alta de exemplares sofre de displasia, origem de uma dor crônica que acaba contribuindo com o seu temperamento e seu comportamento muitas vezes nada conveniente. O Vira-Lata em questão, cachorro não menos híbrido, mas criado no terreiro, solto e largado às possibilidades que apareciam, às vezes latia de fome, às vezes de satisfação, ora recebia afagos da velha, ora uma repreendida em vara de marmelo.
Latiu ainda mais firme ao ver o mascate sumindo na estrada. A velha rendeira ia pensar a respeito da proposta, não era decisão a ser tomada assim, no imediato de um encontro apenas. Sentia sem se dar conta, que aos humanos e caninos cabia tarefa mais nobre do que o processamento mecânico de todas imagens, idéias, símbolos e significados, propostas e possibilidades. Sabia que à eles estava reservada a condição de dar um passo além, de ousar latir ao desconhecido, encará-lo de frente, obrigando-o a entender e participar conjuntamente no processo de mudança e criação de novas conexões. Naquela noite, custou a pegar no sono imaginando o destino de suas rendas, o que fariam com a história produzida por suas mãos.

Diego Suriadakis

Raízes pelo mundo

Conhece essa banda???


Um ótimo exemplo de união de culturas e raízes é a banda Gogol Bordello.
Formada em 1999, a banda conta com 9 integrantes (além de 7 ex-integrantes) sendo cada um de um lugar do mundo.
Rússia, Etiópia, Ucrânia, Israel, Flórida, Tailândia e Japão são alguns dos locais de onde saíram esses músicos, alguns inclusive com dupla nacionalidade, que se reuniram para fazer esse som maluco e misturado.
A banda costuma rejeitar títulos, mesmo porque é praticamente impossível rotular um algo com pitadas de tudo, pedaços do mundo e acordes dos mais diversos instrumentos. Já os classificaram como world music, o que não deixou a banda muito feliz. "É estúpido, racista. Como se dissessem: 'Aqui está a música americana, o resto é world music'. O que isso quer dizer?", foi a declaração do vocalista e criador da banda, Eugene Hütz.
Mas muitos referem-se ao seu som como folk punk ou punk cigano (pra mim, particularmente, o mais apropriado).
Uma voz, sete vocais de apoio e um MC, violino, acordeão, guitarra, violão, bateria, percussão e duas dançarinas performáticas compõe o cenário colorido e eletrizante da banda.
Em entrevista para a Folha Online, Hütz conta: "O conceito era: fazer o melhor show de rock-cigano do mundo. E acho que estamos nos dando bem. Colocamos ênfase na performance, nas influências ecléticas. Não somos nem um pouco convencionais. Essa é a proposta: ser o mais anticonvencional possível".
Se existe na música hoje um exemplo do hibridismo cultural, o Gogol Bordello é, com certeza, um dos, se não o melhor.

Pra tentar entender um pouco melhor essa mistura:









Para ver mais vídeos da banda, clique aqui


Site oficial: Gogol Bordello
Gogol no MySpace: http://www.myspace.com/gogolbordello

Izabela Linke

Negrume Hodierno

“O cão não vê utilidade em carros elegantes, nem em casarões, nem em roupas de grife. Um graveto serve para ele. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, talentoso ou sem graça, inteligente ou burro. Dê a ele o seu coração e terá o dele.”
John Grogan


São vários narcisos em um espaço só. Pessoas que com a dor e a exaustão buscam satisfazer o seu prazer. Um hedonismo contraditório, um gozo imediato e em longo prazo. E eu aqui em meu posto, no momento de observador, ou melhor, apreciador de todo esse espetáculo da evolução humana alheia. Fico esperando algum momento, um alvo para me satisfazer. Meu globo ocular funciona como mira, uma mira elaborada como as das metralhadoras israelitas mais sofisticadas. E é o esperar deste momento que me deixa vivo no meu tédio sonolento que me foi adequadamente reservado. Um movimento estático-móvel de corpos sem órbita, corpos que gritam o discurso: Preciso me encontrar. Como já dizia Candeia ao seu amigo Cartola em sua angústia antepassada.
A busca da concretização é extremamente onírica em um mundo fragmentado que dilacera seres humanos com tanta eficácia como uma guilhotina. As pessoas não se conhecem, não conhecem seus objetivos, estamos todos perdidos. A única sorte – que é cega – é que o poder das deserções chegou a uma escala tão elevada que já não somos mais capazes de sentir a angústia que Candeia sentia em seus anos rebeldes. Está ai o motivo da citação de John Grogan iniciar o texto. Os animais estão anos luz na nossa frente quando o assunto é valores e sinceridade. Para se ter um pouco de noção deste caminho apocalíptico que a humanidade está seguindo o ideal seria ter um encontro com Milton Santos, que se não fosse o documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler seria impossível realizar esse importante encontro, pois Santos morreu buscando um outro caminho que fosse contra essa perversidade humana.
Bom mesmo seria reciclar o romantismo revolucionário do Sol nas bancas de revista. A busca de um propósito que era comum a todos da juventude explosiva daquela época que se podia sessentar. Mas não vou dizer que tudo está acabado, pois afinal temos nosso majestoso Funk, a atual MPB que nos representa. E uma mocidade que luta pelo que quer: mulheres, roupas, carrões, jóias. Tudo que nos faça sentir poderosos, um poder que acaba com o lançamento do próximo Iphone.
Um brinde a falta de comprometimento que o capitalismo bestial, porém necessário, nos obriga a ter. Ele ocupa nossa mente com estratégias de ganho e aplicação de capital e ofusca nossos valores que passam a ser outros, que comportam o canibalismo: o beneficio desonesto de uns sobre outros.

Pedro Cunha
Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá
Documentário de Silvio Tendler, 2007

(primeira parte)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sugestão de filme

Sob as conexões múltiplas do hipertexto

Li, há pouco tempo, uma matéria que tratava da aplicação do hipertexto, que remete ao modo de leitura na Internet, no estudo da criação musical. Ao refletir sobre as conexões múltiplas do hipertexto, não tive dúvida: aquela leitura seria o assunto do texto que viria a postar em nosso blog. Como seria possível aplicar a idéia de hipertexto no estudo da criação musical? Pois as perspectivas teóricas do hipertexto, aliada, entre outras, à teoria da transcriação, orientaram uma pesquisa sobre relações tradutórias na música de câmara, envolvendo compositor, poeta e intérprete. A responsável pela pesquisa atende pelo nome de Luciana Monteiro de Castro Silva Dutra, professora da Escola de Música da UFMG, que analisou a suíte de oito canções Líricas, op. 25, da carioca Helza Camêu (1903-1995), escrita sobre poemas de Manuel Bandeira (1886-1968).
Ao ser interpelada pelo repórter do Boletim Informativo da UFMG do dia 11.5.2009, Luciana Dutra lembrou que a construção do hipertexto é semelhante à do pensamento – multilinear e capaz de coletar elementos heterogêneos. E que as obras de arte “têm pontas para todos os lados”, ou seja, analisando a música cantada, percebe-se uma conciliação das referências literárias do compositor e do próprio poeta, detalhes da interpretação e até as características de cada público, entre outros tantos aspectos. “Posso pensar cada canção como uma rede, usando a lógica do hipertexto”, diz a pesquisadora, que considerou diferentes interações. A música de Helza, por exemplo, leitora do simbolista Bandeira, dialoga com a do francês Claude Débussy (1862-1918), que musicou autores simbolistas. E Manuel Bandeira, por sua vez, construiu sua obra a partir de influências de poetas como Verlaine, Rimbaud e Camões, além de escrever muito durante tratamento de uma tuberculose.
“As conexões são múltiplas, e o conceito de hipertextualidade se aplica perfeitamente porque estamos falando da interação de elementos de naturezas distintas, intrínsecos e extrínsecos à canção”, ela explica. O intérprete deve percorrer os caminhos dessa rede com precisão, já que busca uma operação tradutória múltipla e heterogênea. “Ele será o próprio autor, o personagem, o narrador, o interlocutor”, define Luciana Dutra.
Na produção de sua pesquisa, Luciana recorreu à recente abertura da música a outras áreas, como a semiótica e a ciência da computação. E mais: expandiu a teoria que orienta a tradução de poemas entre idiomas para a linguagem da música. Para ela, o processo de composição de Helza Camêu criou, com os oito poemas – retirados dos livros Cinza das horas, Lira dos cinquent’anos e Carnaval – uma narrativa nova, que idealizaria uma história confessional de Manuel Bandeira. “Acho que a própria compositora se vê naquelas canções. Ela teria feito, então, uma outra tradução, já que a primeira é a do próprio poeta, que não faz uma autobiografia, mas interpreta sua própria vida”, afirma Luciana, que faz uma analogia com o cinema e seus diversos planos de tradução – envolvendo roteirista, diretor, atores.
Da mesma forma como acontece com quem navega na Internet, a leitura hipertextual exigida pela própria natureza interdisciplinar do estudo, direcionada à análise da rede de elementos envolvidos na tradução da literatura para a música, levou a pesquisadora “a trilhas imprevisíveis, que muitas vezes tentaram, sem êxito, me distanciar das metas”. Mas, como ela mesma conclui, “reaproximei-me dos ‘nós’ e das ‘interfaces’ principais, tendo a tradução se revelado como um dos mais abrangentes e eficazes meios de conexão entre elementos textuais, intertextuais, hipertextuais e contextuais da canção de câmara”. Como diria o sociólogo Marcos Palacios em “Hipertexto, fechamento e o uso do conceito de não-linearidade discursiva”, a apropriação das idéias trabalhadas por Gunnar Liestøl levam a uma melhor caracterização do hipertexto enquanto estrutura discursiva multilinear, um termo que consideramos muito mais preciso e mais apropriado do que não-linear, por traduzir mais adequadamente a multiplicidade de possibilidades de construção e leitura abertos pelo Hipertexto. Prova disso está na matéria que acabo de reproduzir.
Com o hipertexto, a possibilidade de se construir vários percursos de leitura muda não só a experiência de ler quanto a natureza do que se lê, com a multiplicidade de possibilidades de produção de sentidos. Assim, pensando no hipertexto eletrônico, constata-se um fortalecimento da intertextualidade, isto é, a abertura do texto ao exterior, cujas fronteiras, como se viu, são temporárias e móveis.

Lucas Rodrigues

Preconceitos Linguísticos e Estrangeirismos



O preconceito lingüístico tem a sua origem no mito de que o único português, digno de ser nomeado dessa forma, é aquele ensinado na escola – fato que já exclui automaticamente as variedades da nossa língua, ou seja, as variações do português. Os fenômenos fonéticos não devem ser considerados um fator de exclusão e sim algo que contribui para a formação da própria língua.
O que para alguns é algo precioso como as variações do português, para a globalização é algo passível de ser omitido, o mundo globalizado unifica tendências e culturas, por isso as variações lingüísticas perdem a sua beleza, para transformar-se em objeto de exclusão social.
Para melhor ilustrar essa hipótese usemos como exemplo a televisão, a qual opta por um determinado modelo, esquecendo-se de que não só o Brasil, mas vários outros países são marcados pela miscigenação de culturas e consequentemente de línguas.
Em razão dessa opção feita pelos meios de comunicação, é cada vez mais comum ouvir as pessoas falando que não compreenderam determinadas notícias, ou mesmo a palavra usada por um repórter, basicamente quem não se encaixa em um determinado padrão da língua ou possui um vocabulário vasto, é excluído.
E quando damos o braço a torcer pensando que a mídia vai, finalmente, dar o destaque merecido às variações de linguagem, nos surpreendemos mais uma vez ao nos depararmos com um personagem nordestino de uma novela, por exemplo, retratado como um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador.
“No plano lingüístico, atores não-nordestinos expressam-se num arremedo de língua que não é falada em lugar nenhum no Brasil, muito menos no Nordeste. Costumo dizer que aquela deve ser a língua do Nordeste de Marte! Mas nós sabemos muito bem que essa atitude representa uma forma de marginalização e exclusão.” (BAGNO, Marcos. 1999, p. 44)
E diante de demonstrações públicas e igualmente preconceituosas como a exemplificada acima, o caráter único da cultura brasileira é mais uma vez ignorado, diante dessa situação é impossível não mencionar que a língua de fato é um fator de ascensão social.
Falemos agora dos estrangeirismos, antes de forma mais leve e disfarçada, hoje em dia inseridos bruscamente e de maneira gritante em nossa cultura, propiciando a quebra com as nossas identidades originais e permitindo a perda da nossa língua com as suas respectivas peculiaridades e variações.
Da mesma forma que antigamente a língua era usada como forma de dominação, a globalização vem repetir esse mesmo processo, impondo violentamente palavras estrangeiras em nosso vocabulário, e mesmo sabendo que o estrangeirismo abusivo é lesivo ao patrimônio cultural, continuamos a nossa adesão a esse novo vocabulário, contribuindo para a descaracterização da língua portuguesa.
A língua é o espelho da cultura, e dentro não só do nosso país, mas de vários outros, a sua diversidade é imensa, no entanto muitas delas já foram perdidas e outras estão prestes a desaparecer, não seria esse o momento mais que ideal para pensarmos porque isso está acontecendo e porque continuamos a permitir esse genocídio linguístico?
Concluindo, a língua nada mais é do que evidências da nossa historia, e abrir mão dela é perder parte importante do patrimônio da humanidade, a sua forma de transmissão por entre as gerações já é bastante delicada, por isso a preservação da língua materna é tão importante.

Amanda Gama e Ana Flávia Belloni

Samba do Approach

Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat

Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Fica ligada no link
Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei o meu Green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um nouveau riche

Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite drag queen

Zeca Baleiro

Dicas de livros


Preconceito lingüístico: o que é, como se faz
Marcos Bagno
São Paulo, Loyola, 1999.

O livro denuncia a existência de uma série de mitos infundados que entram na composição do arraigado preconceito lingüístico que vigora na sociedade brasileira. Desmascarando um por um desses mitos, o autor mostra de que maneira a mídia e a multimídia, na contramão dos estudos científicos atuais sobre a linguagem, estão colaborando para perpetuar e aprofundar esse preconceito. A obra tem sido amplamente adotada em cursos de Letras, Educação e Comunicação de diversas universidades Brasil afora.














A língua de Eulália (novela sociolingüística)
Marcos Bagno
São Paulo, Contexto, 2008 (NOVA EDIÇÃO

Nossa tradição educacional sempre negou a existência de uma pluralidade de normas lingüísticas dentro do universo da língua portuguesa; a própria escola não reconhece que a norma padrão culta é apenas uma das muitas variedades possíveis no uso do português e rejeita de forma intolerante qualquer manifestação lingüística diferente, tratando muitas vezes os alunos como “deficientes lingüísticos”. Marcos Bagno argumenta que falar diferente não é falar errado e o que pode parecer erro no português não-padrão tem uma explicação lógica, científica (lingüística, histórica, sociológica, psicológica). Para explicar essa problemática, o autor reúne então n’A LÍNGUA DE EULÁLIA as universitárias Vera, Sílvia e a esperta Emília, que vão passar as férias na chácara da professora Irene. Sempre muito dedicada, Irene se reúne todos os dias com as três professoras do curso primário, transformando suas férias numa espécie de atualização pedagógica, em que as “alunas” reciclam seus conhecimentos lingüísticos. Mais do que isso, Irene acaba criando um apoio para que as “meninas” passem a encarar de uma nova maneira as variedades não-padrão da língua portuguesa. A novela flui em diálogos deliciosamente informativos. A LÍNGUA DE EULÁLIA trata a sociolingüística como ela deve ser tratada: com seriedade, mas sem sisudez.


Fonte: http://www.marcosbagno.com.br

Savassi: self-service cultural


A região hoje conhecida como Savassi, surgiu na cidade de Belo Horizonte com a criação de uma padaria de imigrantes italianos. A padaria foi inaugurada em 1939 e deu nome a um dos lugares mais conhecidos e visitados da cidade.
Local de encontros e conversas, a Savassi era um ambiente calmo que inspirava música e poesia. Hoje após 70 anos, este cenário transformou-se bastante. As ruas estão movimentadas e o comércio da região cresceu. Mas o que nos chama atenção na Savassi é a expansão da culinária: os bares ficam lotados e há restaurantes de todos os tipos. È possível encontrar desde a comida tradicional mineira até a comida mexicana, francesa, tendo como opção de sobremesa, um típico doce português. Uma diversidade de culturas todas próximas, bem misturadas e muitas vezes contraditórias.
Andando pelas ruas da Savassi, bem no centro, nos deparamos com o símbolo da globalização e da cultura americana, o Mc Donald’s. O fast-food já está a mais tempo incorporado na cultura brasileira, em decorrência do poder e do progresso norte-americano. No entanto, não é preciso andar muito para encontrarmos a antítese do Mc Donald’s. Bem próximo, temos diversos restaurantes e lanchonetes de comidas leves e naturais, o que não deixa de ser também uma nova moda global, na qual o bem-estar e o equilíbrio do corpo passa a ser o ideal de todos.
Viramos uma rua aqui, outra ali e nos deparamos com um mundo oriental: o japonês, o chinês e o árabe. O mais engraçado nisso tudo? O chefe do restaurante árabe, não é árabe, os temperos em sua maioria não são provenientes dos países árabes, e no restaurante japonês você tem a possibilidade de comer “pizza japonesa com um toque brasileiro”. Além do mais, mesmo os restaurantes tendo uma decoração das culturas que eles representam a maneira como os japoneses, árabes, chineses, italianos fazem as suas refeições, não são incorporadas pelos brasileiros. Outro fato engraçado, é que o restaurante Shop Stick, serve comida japonesa e chinesa, ou seja, duas culturas orientais repleta de diferenças sendo “servidas” em um mesmo local. Se isso não é um reflexo da globalização e do multiculturalismo, o que é?
O sociólogo Giddens conceituou globalização como “...processos atuantes numa escala global, atravessam fronteiras nacionais, conectando comunidades e organizações em novas combinações espaço-tempo-mundo interconectado.” Esta etapa da globalização, claro, não é um processo recente. Essa diversidade que estamos vendo hoje é um reflexo de um processo que vem ocorrendo há décadas. Mas o que nos leva a questionar a globalização, é o fato de ser um fenômeno contraditório. Em uma região de Belo Horizonte, encontramos uma pluralidade de culturas, países distantes convivendo em um mesmo espaço. Por outro lado, os restaurantes ditos comida típica, como a mineira, conseguem conviver muito bem.
Neste sentido o chamado multiculturalismo, que nada mais é o intercâmbio, a troca de várias culturas, costumes, valores, modos de vida, que convivem em um mesmo local, se torna cada vez mais presente e natural. No entanto, como Stuart Hall cita “É difícil pensar na “comida indiana” como algo característico das tradições étnicas do subcontinente asiático quando há um restaurante indiano no centro de cada cidade da Grã-Bretanha”, ou no nosso caso, em um bairro de Belo Horizonte. Isso significa que não podemos reduzir a cultura, uma característica que engloba vários aspectos de um povo, que conta a sua história, apenas à sua culinária. É preciso lembrar, que a culinária é uma parte da cultura asiática, européia, brasileira.
Penso no multiculturalismo como um processo irreversível. À medida que os costumes vão se condensando, torna-se complicado saber se um tempero é típico de Portugal ou da China, por exemplo. Mas essa mistura não é necessariamente ruim. Por trás das trocas de especiarias, de alimentos, existem trocas de conhecimento, de aperfeiçoamento, que transformam e constroem as culturas. Dessa forma, a afirmação de Gianni Vattimo é totalmente plausível: “...neste mundo de culturas plurais, terei também uma consciência intensa da historicidade, contingência, limitação, de todos estes sistemas, a começar pelo meu.” Contudo, o multiculturalismo também tem os seus efeitos negativos.
A globalização e consequentemente o multiculturalismo, interferem na formação das identidades culturais. As identidades estão “soltas”, flutuantes, efêmeras, pois não são identidades fincadas em suas raízes e tradições. Ao mesmo, tempo tais identidades querem mostrar a sua peculiaridade, se impor através do que tem de diferente. Essa dualidade se dá porque as identidades culturais “... retiram seus recursos, ao mesmo tempo, de diferentes tradições culturais; e que são o produto desses complicados cruzamentos e misturas culturais que são cada vez mais comuns num mundo globalizado.” (HALL, Stuart. p.88).
Apesar dos aspectos negativos do multiculturalismo, é impossível pensar em uma interação entre os costumes única, global. O homem já é um ser formado por uma diversidade de culturas, e esse fator é benéfico para a sua vivência nesse mundo em que as fronteiras se dissolveram e que o espaço-tempo foi comprimido pela globalização. Além disso, os valores globais, aos quais não temos como evitar porque somos afetados pela configuração atual do mundo, pelo avanço nos meios de comunicação, convivem com os valores locais, das histórias que constituem cada indivíduo.
As várias culturas estão interconectadas, assim como as culinárias distintas dos restaurantes da Savassi. Estas estão em constante contato com a culinária mineira, com a sua tradição. Sendo assim, sem precisar sair de Belo Horizonte, você consegue ter contato com outros “universos” com um gostinho brasileiro. Então, o que está esperando para vir servir o seu prato cultural?

Elisa Heringer e Larissa Borges

Sirva-se à vontade!

Alguns exemplos do multiculturalismo gastronômico encontrado na região da Savassi:


Dona Derna
Rua Tomé de Souza, 1331 - Savassi





Chop Stick San
Rua dos Inconfidentes, 1068 - Funcionários



Light Life
Rua Paraíba, 1068 - Savassi



Vila Árabe
Rua Pernambuco, 781 - Savassi





Oishi
Rua Alagoas, 626 - Savassi





Pizza Hut
Rua dos Inconfidentes, 766 - Savassi



Mc Donald's
Avenida Getúlio Vargas, 1300 - Savassi



Chez Bastião
Rua Alagoas, 642 - Savassi



Doces de Portugal
Rua Santa Rita Durão, 949 - Savassi




Todos os restaurantes citados acima se localizam em Belo Horizonte, Minas Gerais.

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