terça-feira, 19 de maio de 2009

Preconceitos Linguísticos e Estrangeirismos



O preconceito lingüístico tem a sua origem no mito de que o único português, digno de ser nomeado dessa forma, é aquele ensinado na escola – fato que já exclui automaticamente as variedades da nossa língua, ou seja, as variações do português. Os fenômenos fonéticos não devem ser considerados um fator de exclusão e sim algo que contribui para a formação da própria língua.
O que para alguns é algo precioso como as variações do português, para a globalização é algo passível de ser omitido, o mundo globalizado unifica tendências e culturas, por isso as variações lingüísticas perdem a sua beleza, para transformar-se em objeto de exclusão social.
Para melhor ilustrar essa hipótese usemos como exemplo a televisão, a qual opta por um determinado modelo, esquecendo-se de que não só o Brasil, mas vários outros países são marcados pela miscigenação de culturas e consequentemente de línguas.
Em razão dessa opção feita pelos meios de comunicação, é cada vez mais comum ouvir as pessoas falando que não compreenderam determinadas notícias, ou mesmo a palavra usada por um repórter, basicamente quem não se encaixa em um determinado padrão da língua ou possui um vocabulário vasto, é excluído.
E quando damos o braço a torcer pensando que a mídia vai, finalmente, dar o destaque merecido às variações de linguagem, nos surpreendemos mais uma vez ao nos depararmos com um personagem nordestino de uma novela, por exemplo, retratado como um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador.
“No plano lingüístico, atores não-nordestinos expressam-se num arremedo de língua que não é falada em lugar nenhum no Brasil, muito menos no Nordeste. Costumo dizer que aquela deve ser a língua do Nordeste de Marte! Mas nós sabemos muito bem que essa atitude representa uma forma de marginalização e exclusão.” (BAGNO, Marcos. 1999, p. 44)
E diante de demonstrações públicas e igualmente preconceituosas como a exemplificada acima, o caráter único da cultura brasileira é mais uma vez ignorado, diante dessa situação é impossível não mencionar que a língua de fato é um fator de ascensão social.
Falemos agora dos estrangeirismos, antes de forma mais leve e disfarçada, hoje em dia inseridos bruscamente e de maneira gritante em nossa cultura, propiciando a quebra com as nossas identidades originais e permitindo a perda da nossa língua com as suas respectivas peculiaridades e variações.
Da mesma forma que antigamente a língua era usada como forma de dominação, a globalização vem repetir esse mesmo processo, impondo violentamente palavras estrangeiras em nosso vocabulário, e mesmo sabendo que o estrangeirismo abusivo é lesivo ao patrimônio cultural, continuamos a nossa adesão a esse novo vocabulário, contribuindo para a descaracterização da língua portuguesa.
A língua é o espelho da cultura, e dentro não só do nosso país, mas de vários outros, a sua diversidade é imensa, no entanto muitas delas já foram perdidas e outras estão prestes a desaparecer, não seria esse o momento mais que ideal para pensarmos porque isso está acontecendo e porque continuamos a permitir esse genocídio linguístico?
Concluindo, a língua nada mais é do que evidências da nossa historia, e abrir mão dela é perder parte importante do patrimônio da humanidade, a sua forma de transmissão por entre as gerações já é bastante delicada, por isso a preservação da língua materna é tão importante.

Amanda Gama e Ana Flávia Belloni

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